quarta-feira, 29 de maio de 2013
Não tenho a sensação que a combustão de petróleo faça bem à saúde.
Não é que eu considere que queimar combustível fóssil à maluca faça bem à atmosfera. Obviamente, não tenho a sensação que a combustão de petróleo faça bem à saúde, que cure as maleitas, ou que seja responsável por maravilhosos eventos ecológicos. Não, esse não é o caso.
De qualquer maneira, fico anualmente maravilhado com as tiradas de génio de alguns ambientalistas, ecologistas, cientistas, jornalistas e gente que, no geral, aprecia bastante falar sobre o tempo.
Há pouco menos de um ano, recordo-me de visionar nas notícias uma reportagem que, grosso modo, sugeria que o deserto do Saara vinha por aí acima. Basicamente, íamos ficar com um areal na Serra de Sintra, ou uma duna no jardim do Parque Eduardo Sétimo. Foi isso que compreendi - o apocalipse da secura ia apanhar-nos a todos. Os agricultores, já fustigados pela geada e o ocasional tornado iam ter o seu canto do cisne com a secura permanente das barragens. De facto, perante o défice de precipitação de líquido enviado directamente por São Pedro, a metamorfose de Portugal em Mauritânia parecia fatal. Perante a seca, todos se apressaram a regozijar com a consumação das suas previsões. Na linha da frente estavam os meteorologistas, que brilhantemente costumam falhar a previsão para as vinte e quatro horas seguintes. Esses oráculos estudam a pressão atmosférica, as frentes frias e quentes, o aquecimento global, entre outros. No entanto, não os ouço falar do rotundo falhanço que sucede com o secular conhecimento das estações do ano. A Primavera começa frequentemente a destempo, o Outono começa mais tarde, ocorre anualmente o Verão de São Martinho, e existem dias de Maio que mais parecem Inverno. Apesar disso, continuamos a celebrar as 4 efemérides anualmente, e comportamo-nos em conformidade.
Além daqueles sete minutos para o teste de Geografia do meu nono ano de escolaridade, pouco tempo mais dediquei ao estudo de peculiares fenómenos atmosféricos como o vento e a chuva. No entanto, sou capaz de perceber que as previsões do tempo são tão ou mais falíveis que as previsões económicas. E temos visto como estas últimas têm sido estupendas... Mas agora falamos de um assunto mais sério - o fim do verão. Não, não estou a falar do início do Outono. Estou, evidentemente, a discutir a notícia que ouvi ontem, onde se afirmava perentoriamente que este ano não ia haver bem um verão. Parece que a seca aqui no Saara foi desta vez um pouco fria e húmida, de maneira que o arrefecimento da atmosfera foi tal, que o verão não a vai conseguir aquecer. Pelo menos, foi o que compreendi assim que somei a audição da notícia, àqueles sete minutos de dedicação estudantil quando tinha 14 anos.
O ano passado o apocalipse era seco e quente, este ano é frio e molhado; e eu ainda não decidi qual prefiro.
A questão que eu coloco é simples: se os ecolometeorologistas não conseguem prever o tempo que vai estar para a semana, como é que conseguem prever o que vai acontecer no Verão? Na verdade, essa malta a única coisa que parece conseguir prever, é o fim do mundo!
Os visados por este texto que se pretende imbecil talvez dirão - é justamente esta instabilidade que prova que isto está tudo do avesso, ora seco, ora húmido, ora frio, ora assim-assim. E eu que pensava que assim era o tempo!
sábado, 14 de abril de 2012
4000 visitas!

Não tenho ligado muito a esta coisa mas não deixo de ficar satisfeito por chegar às 4000 visitas. Afaga-me, por assim dizer, o ego.
Ando ocupado noutros afazeres e, apesar de frequentemente me lembrar de coisas para escrever aqui, não publico nada.
Uma das pesquisas no google que levou um indivíduo qualquer ao meu site foi, nada mais nada menos que: "como despedir uma empregada domestica 2011". Fui, com certeza, uma grande ajuda. O meu blog sempre primou por ser muito útil, no que toca à gestão de recursos humanos. O despedimento colectivo de mulheres-a-dias foi um nicho de mercado em que eu sempre apostei . É gratificante ver que está a dar frutos (ou desempregados).
Outra chave para ser conduzido directamente do motor de busca para aqui, consiste em digitar "como pedir ajuda a cetelem". Penso que prestei serviço público ao auxiliar os pedidos de ajuda à cetelem. Este é, aliás, um dos sectores em maior expansão no meu blog. Nunca escondi a minha devoção à causa dos desfavorecidos. A Cetelem, com o advento do crédito malparado, merece o nosso apoio!
Está visto que o público que visita o meu blog é exigente e procura informação especializada na área. Informação esta que, modéstia à parte, eu forneço com precisão e eficácia.
Atenção que o conteúdo deste blog é da exclusiva responsabilidade dos intervenientes. Ah, como eu gostava que esta última frase viesse acompanhada com a música do "Direito de Antena"!
Muito obrigado. Até aos próximos 6 mil milhões... de euros de dívida pública.
sábado, 21 de janeiro de 2012
O orçamento

Os tempos são de crise e, como já vem sendo habitual, nada melhor que a crise para me entusiasmar a escrever umas quaisquer porcarias.
Portugal acabou de ser "salvo" pelo Fundo Monetário Internacional e espera-se que tudo corra bem nos próximos tempos, ou talvez não...
Como bom país que somos (e como todos os outros à excepção dos chineses, talvez), continuamos a vender dívida pública a juros elevados. De salientar a utilização da expressão "venda", quando na verdade a expressão que deveria ser empregue é - pedir montes de dinheiro emprestado. Quando se gasta mais do que se tem - vulgo, défice - torna-se necessário pedir um empréstimo para tapar o buraco, e impedir que agentes armados entrem pela nossa casa a dentro e nos coajam a pagar as nossas vendas de dívida. Costuma dizer-se que toda e qualquer "dona de casa" sabe que pedir dinheiro emprestado para pagar dívidas não é um bom negócio. Qualquer "trolha" sabe que, para não perder a casa e o carro, talvez seja melhor despedir a empregada doméstica, ir ao "Minipreço" em vez de ao "El Corte Inglés" ou poupar naquela ida ao "Tavares Rico", para não ter de ir à Cetelem pedir dinheiro para pagar o empréstimo da casa. Qualquer idiota percebe que, se começar a pedir dinheiro emprestado para pagar a hipoteca da casa, vai ter de levar a mobília que sobrar da penhora para debaixo da ponte - no caso de ainda haver espaço disponível.
Todos os dias surgem uma série de indivíduos carismáticos e eruditos (às vezes com uma boa camada de base na cara) que, cheios de razão dizem que a redução da despesa vem a caminho e que este ano só vamos ter um défice de 5,8% (in Diario de Notícias, Novembro de 2011). SÓ, é como quem diz... Significa isto que Portugal está a ir à Cetelem - vulgo Troika - para manter o seu estilo de vida. Claro está, que uma grande parte dos nossos governantes já estão bem próximo da aposentadoria, significando isso que estão a pedir dinheiro emprestado em nome da população mais jovem. É como quem diz - quem vier a seguir que pague a conta! Nem que seja pela minha data de nascimento, naturalmente acho mal.
É lugar-comum dizer-se que vivemos acima das nossas possibilidades e que a crise actual é o preço a pagar. Não percebo como é que aquela televisão que comprei a prestações na Worten está a impedir a Tia Mariquinhas, que vive no lugar da Pucariça, de manter a sua reforma e poder de compra. Há, obviamente, algo de muito cruel na aquisição de televisões a prestações sem juros.
O nosso governo, como aliás muitos dos outros todos, têm vindo a pedir-nos uma série de sacrifícios - perda de reformas, de feriados, de férias, de subsídios, de salários - para nos tirar desta coisa que é a crise. No entanto, este ano e nos próximos que avizinham, vai continuar a pedir dinheiro emprestado para pagar os empréstimos.
Tentei, com pouco sucesso, descortinar as estratégias que nos vão salvar do mal. Recorri ao Orçamento de Estado. Nunca pensei encontrar a salvação no orçamento mas, ainda assim, dei uma vista de olhos.
Qual não foi o meu espanto quando me apercebi, que as maiores vítimas das "poupanças" do Estado são os trabalhadores, apesar de só serem responsáveis por cerca de 25% das despesas. No Serviço Nacional de Saúde, por exemplo, os gastos com pessoal são apenas um sexto dos gastos com a "aquisição de bens ou serviços".
Eu pergunto-me se o desenvolvimento da sociedade se mede pelo número de aeroportos no Alentejo, pelo número de meses que vivemos depois dos 80 ou pela densidade de estradas que temos pelo país fora (das maiores da europa - in DN, Novembro de 2008). Qual é que será o verdadeiro benefício de todos estes investimentos?
Fará algum sentido vivermos todos pobres, descalços e com a escolha do jantar limitada entre o feijão e o arroz ? Ou para, um dia mais tarde, entrarmos doentes num hospital aos 75 anos, e sermos tratados com a mais cara e avançada tecnologia aeroespacial? Nem me dou ao trabalho de escrever sobre o aeroporto de Beja nem sobre o TGV, porque isso é um luxo que poucos vão ter dinheiro para pagar. Pagar para andar, claro está, porque para construir pagamos todos.
Com a saúde não se brinca! Nem com a saúde, nem com as auto-estradas! Claro está que vamos ter de pedir ajuda à Cetelem para pagar isto tudo...
As agências de rating - que, apesar de terem uma grande responsabilidade no actual estado das coisas e de simbolizarem muito do que me repugna e enoja na nossa sociedade - não deixam de ter razão ao dizerem que assim não vamos longe. Afinal, quem é que acha seguro apostar numa empresa que vende dívida para contrair mais dívida???
Quando será que os senhores armados vão entrar na casa do governo e dar início às penhoras?
quinta-feira, 31 de março de 2011
Os mercados

Ao contrário de todas as outras crises de que há memória, em que a ganância dos poderosos gerou guerras, miséria e fome, desta vez a culpa é do povo. E o povo enfureceu essa entidade mitológica, mais conhecida como "os mercados". É estranho o bicho agora ser um plural, mas tudo bem.
O povo miserável é preguiçoso, viveu acima das suas possibilidades e deu cabo da chafarica. Sempre quis escrever a palavra chafarica, e assim fiz.
É um lugar-comum dizer-se que a culpa é das pessoas que nada fazem, que nada produzem, que compram plasmas e vão para o Cartaxo passar férias. Da outra vez escrevi Riviera Maia e não quero repetir-me.
O mercado livre, tido como o único meio de progresso, não parece estar a dar bom resultado! Mas isso não se pode dizer, porque toda a gente sabe que o que dá problemas é o comunismo.
Nesta crise que ninguém compreende, a gíria diz que o produto interno bruto e o défice não estão nada bem... As pessoas continuam disponíveis para trabalhar (ou não, como dizem os que sabem porque estamos em crise), mas aparentemente a crise não os deixa.
Custa-me compreender como vamos sair disto, uma vez que nós não conseguimos pagar o que devemos, e a solução dos mercados parece ser subir os juros. Faz sentido.
Aliás, acho que é assim que as coisas devem ser. Sempre que tivermos um problema que não consigamos resolver devemos, em alternativa, tentar resolver um mais difícil. Alguém optimista dirá que é para nos superarmos. Uma vez que livros como "O Segredo" venderam o que venderam, dando asas ao conceito "se tu quiseres mesmo consegues", só me resta considerar que está tudo bem.
Enquanto os mercados parecem determinados na sua missão de aumentar os lucros, os nossos líderes parecem determinados em agradar os mercados. Não vejo como isso pode ajudar, mas isso é porque sou ignorante.
Escrever que os mercados são gananciosos não tem muita graça, por ser demasiado óbvio - por isso, não o faço.
Desta vez, a culpa é do povo.
A culpa é sempre do povo, tirando quando a lemos nos livros de História!
terça-feira, 15 de março de 2011
Lutar contra quem?

Muitas pessoas perguntam contra quem é que nos devemos revoltar e o que é que podemos fazer? Esta última pergunta vem normalmente associada a um certo tom de retórica, como quem diz - não é possível fazer nada!
Este sentimento de impotência que assola as pessoas, só me faz lembrar o "tempo da outra senhora"! Nessa altura, como as conversas subversivas fora da segurança do lar e os ajuntamentos eram proibidos, as pessoas não sabiam que os outros também sabiam que o problema estava no regime (esta última oração plagia um filme que vi no outro dia). Este desconhecimento da opinião dos outros, tornava a revolta obviamente mais difícil.
É curioso constatar que, apesar de toda a gente saber que toda a gente sabe que o problema está no regime, a revolta continua a ser difícil.
Muita gente diz que o problema é que existem muitas pessoas pouco autónomas, com pouca motivação para trabalhar. Apontam muitas vezes o exemplo dos nórdicos e dos regimes anglo-saxónicos. No entanto, tenho ideia que estes também se encontram em crise. Escrevi tenho a ideia, mas na verdade tenho a certeza! Se a causa da crise fosse a falta de liberalismo e o incentivo à autonomia - que é o paradigma americano, por exemplo - não deveriam estes países estar a crescer? Os mais obstinados talvez dirão que a culpa é nossa, dos países do sul.
Outras pessoas dizem que andamos a viver acima das nossas possibilidades. Tenho dificuldades em perceber como é que as pessoas dão cabo do país a fazer empréstimos para comprar LCD's e a viajar para a Riviera Maia. No entanto, como não estou familiarizado com os poderes ocultos da CETELEM, hesito. Quando muito, essas famílias poder-se-iam destruir a si próprias e, se nenhumas pagarem pelas férias, habilitam-se a destruir a CETELEM. Já quando é o governo, em nome de todos os cidadãos, a pedir empréstimos intermináveis a juros altíssimos - mais de 7%, por acaso - cheira-me que já estamos mais próximos do problema. Não estará o Estado a viver acima DAS NOSSAS possibilidades? Não deveria ser o Estado a poupar? Em vez disso contrai empréstimos sucessivos para "se financiar". Algo nisto não soa bem, como já repeti aqui várias vezes.
Os agiotas, por seu lado, passaram décadas a emprestar dinheiro por tudo e por nada, fabricando uma irreal abundância. Qualquer pessoa que empreste dinheiro a um bêbado ou a um drogado desconhecido, sabe que existe pouca probabilidade de o recuperar. Os bancos, quando emprestaram dinheiro a pessoas que tinham poucas probabilidades de pagar - a juros altíssimos - não correram, ao contrário do que seria de esperar, absolutamente risco nenhum. Quando toda a banca realizou empréstimos arriscados no imobiliário, partindo do princípio que os preços das casas iam subir para sempre, chamaram-lhe "bolha imobiliária/sub-prime". No entanto, ao contrário de quem empresta dinheiro a um bandido, o buraco dos bancos foi pago por nós.
Ou seja, além de continuarmos a pagar juros altíssimos para continuarmos a ser "financiados", ainda temos que tapar o buraco dos negócios ruinosos que a banca faz. A este último fenómeno, chamam-lhe "salvar o sistema".
Já nem vou falar (já deu e dará ainda origem a outros posts) no processo de criação de dinheiro. No sistema de bancos centrais actual, para obter dinheiro os bancos imprimem e o povo trabalha. Parece-vos haver aqui alguma disparidade? Disse que não ia falar mas falei, e desta vez usei eu da retórica.
Falta ainda discutir o facto de o estado pedir dinheiro emprestado para investir em negócios que, em grande parte, são detidos por proeminentes políticos que saltarilham entre os respectivos cargos e negócios, investindo no fundo, neles próprios!
Infelizmente, a única coisa que as pessoas têm sido capazes de fazer para mudar o rumo das coisas, é votar no maior partido da oposição. Com ciclos que nunca ultrapassaram os 10 anos, os lobbys têm crescido, potenciando todos os problemas que aqui descrevi.
A solução passa por uma revolta contra a classe política em geral e contra o sistema financeiro que suportam. Tal coisa exigirá greves, manifestações como a do último sábado, grandes sacrifícios e privações - como qualquer revolução que seja verdadeira!
Infelizmente, há muito medo...
sábado, 12 de março de 2011
A luta continua


Ontem foi o dia em que largas dezenas de milhares de pessoas, se levantaram finalmente contra a opressão. Esperemos que tenha sido o primeiro grito de uma revolta que há-de mudar o nosso futuro, para melhor!
Ao contrário do que os funcionários da imprensa doutrinária apregoavam, a poucas horas do início do protesto na Praça do Marquês de Pombal em Lisboa, não foram centenas de pessoas que se manifestaram - foi uma coluna imensa de gente que se estendeu do Marquês aos Restauradores!
Acima de tudo, penso que as pessoas, inspiradas pelas revoltas no norte de África, perceberam uma vez mais, que o povo tem o poder todo, e que só nos escravizarão até onde nós deixarmos.
Feliz ou infelizmente, nós em vez de um tirano no poder - como o Khadafi ou o Mubarak - temos uma núvem pseudo-divina que paira sobre nós e que nos diz os sacrifícios que temos de fazer. Estamos de tal maneira bem controlados, que é difícil saber quem queremos depor, contra quem exactamente nos queremos revoltar.
Antigamente, quando governavam os reis absolutos, cujo poder emanava directamente de Deus, o povo aceitava sem reclamar. Hoje, o poder emana de conceitos financeiros incompreensíveis (como aliás se pretende que sejam), como o défice, o PIB, os juros e os mercados, que em nada reflectem o nosso bem-estar. O medo dos mercados, paira sobre nós como o medo do castigo divino pairava sobre os nossos antecessores. O que vem aí é o castigo do FMI! Como é que tão rapidamente voltámos aos dogmas, inquestionáveis por natureza? Seremos estúpidos? Uma boa parte de mim quer acreditar que a manifestação de hoje mostrou que não!
Estamos todos fartos que o Estado contraia dívidas a um ritmo descontrolado. Eles nunca deixaram de viver acima das suas possibilidades - não é isso que me incomoda. O que me incomoda é que vivam acima das possibilidades do povo!
Para que é que queremos ir financiar-nos ao estrangeiro? Porque é que queremos pedir dinheiro emprestado? Depois ainda lhe chamam vender dívida pública!!! A única coisa que estão a vender é o futuro das futuras gerações!
Neste momento, o Estado só me faz lembrar aquela família que continua a viver como se nada fosse, recorrendo sistematicamente à CETELEM, contraindo novos empréstimos para pagar os anteriores! Se isso é estúpido para uma família, porque é que é "a única maneira de financiar" o estado??? Hipotecam-nos o futuro!
Obviamente queremos - ou deveríamos querer todos - revoltar-nos contra este sistema que faz da dívida a nossa grilheta. Queremos revoltar-nos contra a promiscuidade entre os políticos e os banqueiros! Não acham estranho que o crescimento tenha de vir da dívida, e que os únicos que parecem de facto crescer são aqueles que emprestam dinheiro? Chamam a isto financiamento. Convenhamos que está bem esgalhado!
Sem dúvida que muitas pessoas, talvez pequem por serem pouco empreendedoras, ou por terem cursos superiores e não dominarem qualquer profissão. Mas e os reformados, os velhos e os doentes? Não trabalharam já? Não terão também direitos? Onde está a justiça quando salvam os bancos e deixam morrer os pobres e os estropiados? Que negócio é esse, que a bem de todos tem de ser salvo pelo sacrifício de todos? O dinheiro não evaporou... Ou evaporou?
E o Estado e os seus políticos/governantes, não têm nenhuma responsabilidade na formação destas pessoas licenciadas cujos conhecimentos são insuficientes ou desfasados da realidade?
A revolta de hoje - espero eu - terá sido o início do fim do sistema que nos oprime a todos, e que impede que o desenvolvimento científico brutal que ocorreu nos últimos 80 anos seja transformado em qualidade de vida. De que serviram tantos avanços, se ao fim de quase quarenta anos de democracia em Portugal, a maior parte da população pouco mais tem do que para comer?
O protesto de hoje, para o bem ou para o mal, está condenado a não ter sido o último, pois o crescimento prometido não está para breve...
Ainda nem sequer pagámos a dívida!
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Teatrinho

Nestes últimos dias tenho lido que estas medidas de austeridade deviam ter sido tomadas mais cedo. Quem defende esta perspectiva - os partidos da oposição - paradoxalmente atacam o OE como se fosse a coisa mais ruinosa já alguma vez criada.
Como é que uma medida que está atrasada, e que supostamente deveria ter sido tomada já no início deste ano, pode ser ao mesmo tempo a coisa mais ruinosa que nos aconteceu nos últimos 30 anos? Não sei, e eles provavelmente também não!
O que obviamente interessa é conseguir criticar por todos os ângulos (inclusivamente o morto), as medidas do partido que está no poder.
E porquê? Essa até eu sei. (Estou a gostar particularmente de enveredar por este monólogo, onde faço as perguntas e dou as repostas).
Os tipos que não tiveram cruzes nos boletins suficientes para poderem tomar as medidas que agora criticam, têm de fazer qualquer coisa para se distanciar das cruéis decisões que tomariam se fossem eles a mandar. Desta maneira, esperam aproximar-se do seu principal objectivo - o poder. Entre os objectivos secundários estão incluídos o fim da fome em África e a criação de um centro para estrupiados do ultramar.
Podiam ter escolhido cantar ou dançar, que além de ser mais original, era, sem dúvida, muito mais divertido. Para mal dos nossos pecados, escolheram a corrente mexicana de ficção para telenovelas como inspiração.
Claro que acho um pouco estranho que as pessoas se continuem a deixar embalar por estas distrações (recuso-me a dizer fait-divers) confeccionadas para nós. No entanto, o sucesso das adaptações de telenovelas sul-americanas na TVI mostra que quem não está no espírito certo sou eu.
Qual será o próximo episódio? Será que vai haver casamento? Interessa pouco, já sabemos todos como é que vai acabar!
sábado, 16 de outubro de 2010
Curiosa citação de Abraham Lincoln

"Vejo no futuro uma crise que me enerva e me faz tremer pela segurança do meu país. Como resultado da guerra, corporações foram entronizadas e uma era de corrupção nas altas esferas seguirá, e o poder do dinheiro do país envidará esforços para prolongar o
seu reinado, trabalhando sobre os preconceitos das pessoas, até toda a riqueza...
estar agregada em poucas mãos e a República ser destruída." Abraham Lincoln, 1864
Seria ele (também) um teórico da conspiração??? Já estava mesmo na altura do pessoal abrir a pestana!
seu reinado, trabalhando sobre os preconceitos das pessoas, até toda a riqueza...
estar agregada em poucas mãos e a República ser destruída." Abraham Lincoln, 1864
Seria ele (também) um teórico da conspiração??? Já estava mesmo na altura do pessoal abrir a pestana!
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Tá tudo de pernas para o ar

Cada vez percebo menos de seja o que for... Provavelmente é da areia que anda no ar - por ter sido atirada violentamente para os nossos olhos. Lacrimejo mas é de raiva.
No mundo de hoje, cujos pilares assentam no (impossível) crescimento perpétuo, o desenvolvimento meteórico da economia chinesa é elogiado. É seguida de perto pela Índia, outro bastião dos direitos humanos, onde as classes estão divididas em castas. Depois de uma pesquisa rápida pelas taxas de crescimento do produto interno bruto dos países do mundo, é curioso observar que países como a Etiópia, Malawi, Bangladesh, Uganda, Congo e o Laos (que são daqueles países tão pobres que até faz impressão; aliás até há bem pouco tempo fazíamos anedotas com os etíopes) estão no TOP20. À excepção da Polónia que está em 7º, o primeiro país europeu é a Noruega (126º), atrás de países como o Camboja, Chad e Camarões.
Muitos perguntarão porquê. A resposta é óbvia. A não ser que comecemos a descer o nosso nível de vida e a trabalhar 20 horas por dia por 1euro à hora (mais exagero menos exagero - também sem um bocadinho não vos conseguia por a ler mais um ou outro parágrafo), o FMI a Reserva Federal e o Banco Central Europeu não vão ficar tranquilos.
Assim sendo, não vamos perder tempo. Vão reduzir-nos os salários - sim, sou funcionário público - para começar.
Mas não ficam contentes. Têm que aumentar "o mais justo dos impostos" - o IVA. Como é que se pode contestar a justeza de tal imposto? Por exemplo, o óleo alimentar, imbuído pelos valores da justiça e equidade social, muda de categoria e passa da intermédia para a máxima de 23%, chegando a aumentar mais de 50 cêntimos por litro. Nada mais justo - tanto o Belmiro como o Zé Povinho vão pagar esse tanto se quiserem fritar batatas ou impedir que o esparguete cole. Aposto que o Sr. Ricardo Salgado e os outros banqueiros perdem algum tempo por semana a escolher o óleo mais barato. Os livros, que antes eram taxados a 6% passam também para a taxa máxima. De repente lembro-me das máximas do 1984 - "ignorância é força, guerra é paz, liberdade é escravidão".
O mais engraçado é que tudo isto, se pensarem que é muito, talvez não seja assim tanto se tivermos em conta as injecções de capital dos últimos dois anos. Para "salvar a economia" a quantidade de dinheiro no sistema disparou em muitos biliões de euros e dólares, desvalorizando ainda mais os papéis que temos no bolso e os dígitos virtuais que talvez tenhamos no banco.
Pessoal, deixo um aviso: Não levantem todos o dinheiro dos bancos! Se o fizerem vão desmantelar o sistema financeiro mundial que podia bem ser conhecido por "esquema da pirâmide" ou "Dona Branca Mundial".
É bom que saibam plantar batatas!
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Trabalho não, dinheiro...

Dou por mim a escrever pela primeira vez passados uns meses... É óbvio que ou gosto, ou me é mais fácil, escrever sobre as coisas más... Se calhar, as boas não têm tanta graça, ou têm-na menos quando associadas à ironia e ao sarcasmo - que eu nunca uso em nada que escrevo!
Os tipos agora dizem que vão construir um T.G.V. Mas para que é que eu preciso de um T.G.V.? Não sei bem...
Provavelmente é para ir rápido para Madrid. Ou talvez seja para levar coisas extremamente importantes e pesadas para Madrid, ou para fazer uma viagem mais demorada para Madrid. Ao menos a velocidade no solo parece maior, apesar de não o ser. Mas, os tipos que ganham coisas depois das pessoas porem cruzes nos boletins, decidiram assim. Então, vamos ter uma espécie de super alfa-pendular até Madrid - o que é extraordinário!
Eu também gostaria construir comboiozinhos... Diz que é um brinquedo que desperta na espécie humana um interesse antigo. Acho que o comboio a vapor era mais giro... Saía fuminho e tudo! Não era tão rápido como um intercidades ou um T.G.V, e muito menos que um A330... Mas lá que era giro e que fazia pouca-terra-pouca-terra, fazia.
Assim, eu se fosse um psicopata eleito, não construia um comboiozinho. Pegava no trabalho dos outros, e punha-o a construir um comboiozinho. Mas antes de o fazer - e como se os tipos que têm a força da esferográfica fossem mesmo estúpidos - chamava ao trabalho "dinheiro público", e dizia-lhes que era para o bem de todos e que íamos chegar, com esse brinquedo, três vezes mais devagar ao destino do que com um avião. Como sou ignorante, não vejo as outras vantagens.
É pena o comboiozinho ter que estar ligado à tomada para andar... Assim, o psicopata vai ter que continuar a pedir às pessoas para trabalhar para outro psicopata, a fim de obter energia para por o comboizinho a andar.
Não seria muito mais inteligente fazer as coisas ao contrário? Toda a gente sabe, por exemplo, que os computadores só existem porque houve um tipo que inventou uma impressora e um teclado...
Pupuuuuuuuuuuu!!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Paranóia

Há poucos dias, assistia atentamente a um debate no canal BBC World. Falavam sobre o sistema CCTV (Closed circuit television) - o conhecido sistema de videovigilância, implementado há muito nas ruas de Londres. Eu, dando mais uma vez azo à minha veia conspirativa, acho mal. Acho péssima a ideia de haver alguém que nos possa, se quiser e bem entender, vigiar-nos seja onde for. Como se já não bastassem as câmaras das bombas de gasolina, as que estão à frente e dentro dos bancos, dos hospitais e dos restaurantes! Eu podia continuar a numerar os sítios onde esses pequenos circuitos "fechados" já existem, mas pelo simples facto de ser aborrecido para mim, não o faço.
No referido debate, falavam da intenção de ampliar a rede CCTV em Londres, bem como da sua implementação pelo resto da Europa. Os que eram a favor de "uma câmara em cada esquina", defendiam que este equipamento previne o crime e ajuda a resolver os crimes que forem cometidos. Gosto especialmente deste último argumento. Faz-me lembrar aqueles anúncios de pasta de dentes e manteiga becel - dizem que ajudam (porque não podem por lei enganar as pessoas e dizer que curam ou previnem) a tratar do tártaro e do colesterol.
Já os indivíduos do não, os paranoicos como eu, mostravam números que apontavam para os grandes custos do sistema e para a incapacidade preventiva do mesmo. Obviamente, da mesma maneira que não se pode ter um polícia em cada esquina, também não se pode ter um par de olhos em cada ecrã e os sistemas informáticos ainda estão a anos-luz de ser capazes de detectar comportamentos suspeitos. Além disso, e como não poderia deixar de ser, falavam da possibilidade de entrarmos numa espécie de Big Brother, do qual não podemos fugir.
Claro que a estes últimos argumentos contra a instituição de uma sociedade orweliana, surgiram respostas como:
-Quem não deve não teme!
-Isto é para a nossa protecção!
-Isso é a teoria da conspiração!
É curioso que as últimas três linhas deste post, me fazem lembrar os argumentos a favor da censura e da PIDE, ainda no tempo da outra senhora. Faz sentido! Afinal de contas, é um mal menor e necessário. É para nosso bem! Gostava sinceramente de saber o que faria o saudoso Salazar, se tivesse podido equipar a sua Polícia Internacional de Defesa do Estado com semelhante tecnologia...
A verdade é que já vivemos em democracia há 35 longos anos, uma verdadeira eternidade em termos históricos. Apesar de, desde que há registos históricos fidedignos, os sistemas opressivos e ditatoriais se terem instalado ciclicamente, vi outro dia na televisão que parece que tais regimes nunca mais vão surgir. Fico tranquilo.
Há que dar razão a quem tem razão! E quem quer ser filmado em todo o lado, tem razão! Afinal de contas, quem anda por aí sem medo de ser roubado, violado, extorquido, torturado e assassinado a qualquer momento, não está certamento no seu pleno juízo...
Mémé!!!
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Os disparates do costume!

Eu bem que tentei esperar que surgisse alguma coisa de novo para eu escarnecer! Na verdade não tenho tido paciência de escrever, mas como isto é o meu blog posso mentir à vontade.
Passaram-se as eleições e eu não disse nada porque estou farto dos disparates do costume. Os políticos, esses bastiões da verdade e dos bons costumes, fizeram o habitual... Prometeram a paz no mundo, acabar com as pensões baixas, ajudar os cegos, doentes e estropiados! Qualquer destas promessas, ficava mal até num concurso de misses! Como são sempre iguais, tanto faz que lá esteja um como outro. Tanto assim é, que é o que acaba por acontecer. Além do mais, neste maravilhoso sistema democrático, a minha opinião vale tanto no que concerne à criação de uma central nuclear ou de uma ponte, como a de um engenheiro nuclear ou civil (esta última frase não é original minha, mas pareceu-me muito bem). E eu garanto que não percebo nada de uma coisa nem doutra. Provavelmente, não percebo nada de coisa nenhuma...
Depois temos a gripe. A gripe "A". Podemos estar descansados que os nossos impostos já foram todos bem gastos em testes para saber se as pessoas têm ou não gripe. Obrigado Ana Jorge e senhores da Organização Mundial de Saúde! Agora já temos um teste caro (150€/cada) para saber se temos ou não uma gripe! Aquela velha máxima - Ah, não posso porque estou com gripe... - já não cola, é preciso gastar mais de 100€ do erário para ter a certeza absoluta. O que é que fazemos com essa informação? ...Nada! Mas pronto, ao menos tomamos o ben-u-ron com mais fé de que é mesmo adequado. Se a gripe não passar e ficarmos com uma pneumonia causada pelo dito vírus, o que é que os médicos fazem de diferente no nosso tratamento? Nada. Mas ao menos sabemos que é gripe e o pessoal fica todo em pânico. Já é qualquer coisa... Um tísico tosse em todas as direcções no hospital e espalha a tuberculose, não há problema! Se for a gripe causadora da febre e tosse mortais, evacua-se o edifício e faz-se uma reportagem especial na sic notícias! De preferência, entrevistam-se uma série de indivíduos suspeitos de terem gripe para causar mais alarmismo. Claro que esses indivíduos têm a máscara que lhes foi dada no queixo, e contaminam a equipa de reportagem. Isso não é problema, porque é serviço público.
Portanto não nos vamos preocupar com o buraco do BPN, que já vai em 3 biliões de euros, nem com doenças que matam muito mais que a gripe mortífera, como a tuberculose, as doenças cardiovasculares ou até mesmo os acidentes de carro.
Força pessoal, já temos outra vez o Benfica de antigamente, não tarda nada temos a Virgem a aparecer de novo aí por cima de uma oliveira qualquer!
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Seguros
Para que é que servem os seguros?Os seguros servem para, quando temos um acidente do qual não temos qualquer culpa, perdermos dezenas de dias ao telefone, passearmos de seguradora em seguradora, escrevermos mais de 10 vezes a mesma descrição do acidente e eventualmente sermos enganados à primeira oportunidade.
Depois vêm os peritos. Os verdadeiros ases da peritagem que vistoriam o carro à moda do CSI, tirando fotografias e escrevendo palavras caras no relatório.
Pede-se o relatório da peritagem e a senhora diz que não pode dar. Vejo na net que há centenas de pessoas na minha situação. Tomo conhecimento do Decreto-Lei que diz que têm que me dar o relatório. Mostra-se o Decreto-Lei e a senhora liga à chefe que lhe diz que me deve fornecer o dito cujo.
Recebe-se então a notificação a dizer que o carro vai para a sucata e que nos vai ser dada uma indemnização. Aí, consulta-se o mesmo Decreto-Lei, confronta-se o mesmo com os relatórios que já só um chato conseguiu obter e constata-se que ele está a ir para a sucata ilegalmente. Melhor, constata-se que os senhores cuja profissão é não fazerem mais nada na vida que não peritagens e seguros, se "enganaram". Nesse momento, como já não se trata de ligar às chefe para dar mais uns papeis, sugerem uma reclamação. Eu reclamo.
Feita a reclamação, é preciso aguardar. Trinta e dois dias, dos úteis! Um mês sem o carro não é suficiente...
Mas calma, estes 32 dias não são para resolver a situação! São para dizer se o piloto do carro que travou mais de 56 metros deixando marcas incríveis de borracha no asfalto, espetando-se noutros 3 carros que estavam parados, causando 1 ferido, é OU NÃO culpado.
Todas as pessoas com carro pagam mensalmente valores vários, consoante a maravilha do seguro que têm, às seguradoras. E para quê? Para, quando um carro a alta velocidade se espetar em três carros parados causando um ferido, demorarem mais de um mês a decidir se o senhor que conduzia o mesmo tem culpa, e se tiver, qual será o alcance da mesma.
Ando tão irritado com isto que me falta ironia e sentido de humor para mais, se é que esta bodega tem alguma coisa dessas.
Seguros é coisa de pobre...
terça-feira, 11 de agosto de 2009
De volta!
Nas últimas semanas, têm-me chegado alguns pedidos para escrever mais umas tolices aqui no blog... Fiquei espantado ao ver, quando aqui voltei para lhes satisfazer a vontade, que nenhuma das 2000 visitas foi capaz de limpar o cotão! Francamente!Devo confessar que além do meu trabalho, a falta de inspiração, paciência e assunto, me têm impedido de escrever o que quer que seja! Não estava era à espera que isso resultasse tão rapidamente na formação deste emaranhado de pelos, pele morta, muco nasal seco e vário outro material orgânico e inerte, que por respeito e nojo não vou descrever. Quanto ao dos vossos umbigos, não posso fazer nada!
Por outro lado, ando com tanto medo da gripe porcina, que tenho dificuldade em dar atenção a outras coisas. É incrível, o número de casos está sempre a crescer, e é preciso estar a par das últimas notícias e medidas na OMS! Temos que ter medo e proteger-nos a nós e aos nossos, não vá um de nós apanhar uma gripe! É a pensar nisso que o nosso governo se encarregou de comprar doses de oseltamivir que chegam para um terço da população! Para nosso bem, alguém teve a gentileza de transformar um remédio de indicação estrita para generalizada. Agradecemos nós e agradece a Roche. Obrigado! Já os fabricantes de máscaras não ligaram tanto...
Há ainda a situação das eleições, que são desta vez duas de seguida! Há que estar atento às promessas dos políticos (dinheiro para os reformados, saúde para os estropiados do ultramar e para os outros que não são nem uma coisa nem outra, baixar os impostos, descer os preços, construir a 9ª ponte sobre o tejo, reabrir as maternidades e acabar com a fome em África). Só não prometem baixar o preço da gasolina, porque nesse caso específico, não podem fazer nada. Como vêm aqui pelo meu chorrilho de disparates, sou talhadinho para a política.
Por último, há a morte do Michael Jackson, da qual ando ainda, a custo e lentamente, a recuperar...
Prometo voltar muito brevemente com material inédito!
Abraços a todos!!
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Demagogia

Façamos hoje, um exercício semelhante.
A palavra vem do grego, e significava originalmente a "direcção do povo".
A primeira definição do dicionário da Porto Editora reza assim: submissão excessiva da actuação política ao agrado das massas populares. Começando com o paternalismo da palavra "excessiva", a definição é, de facto, magnífica! Uma vez que o vocábulo é utilizado em tom de acusação, devo assumir que os políticos NUNCA devem agradar às massas populares. As massas devem então, ser tratadas como um rebanho. Sempre que ouçamos a partir de agora, por exemplo, o Paulo Portas acusar o Manuel Pinho ou o Sócrates de demagogia, imaginar-nos-emos em rebanho. Ovelhinhas, cabrinhas ou vaquinhas, Sócrates é o nosso pastor. Na verdade, talvez o Cavaco tenha até mais pinta de pastor. Afinal, a piada do bolo-rei, que é agura lugar-comum, dá-lhe aquele toque de pastoreio. Agradar às massas é mau, portanto voltemos aos açoites. O senhor que tantas vezes tem saliva branca nos cantos da boca, diz que é aquele pasto é mais espectacular, portanto vamos pastar para lá! Acreditamos, ou melhor, nem questionamos. Mémé!
Fazer demagogia, segundo o mesmo dicionário, é ter uma actuação política que se serve do apoio popular para conquistar o poder. Para quê o apoio popular?! Não é preciso. Os nossos "pastores" podem usar uma qualquer política económica de pasto sem nos consultar. Podem iniciar guerras (sabiam que a maioria esmagadora das pessoas teria votado contra a guerra no Iraque, em todos os países da Europa e inclusivamente, nos E.U.A., antes do Bush dar fogo à peça?), fazer novas constituições, construrír pontes, aeroportos, mudar de frota automóvel a todo o instante (como fez agora o Jaime Gama, et al.), fazer políticas obscuras e claramente lesivas para os trabalhadores mais pobres, sem que praticamente nenhuma ovelhinha concorde. Pensava que isto do povo apoiar a actuação política era uma coisa boa, principalmente quando concorda com ela. Devo estar totalmente errado. Sem dúvida! O dicionário e os deputados da Assembleia da República, estão todos ali para mo mostrar, uma vez que esgrimem a palavra de uns para os outros como se de um pau se tratasse. Digo pau nesta última frase, porque espada é muito fino, para o respeito que me merecem a maioria desses indivíduos.
Por último, acrescenta a mesma fonte de significados de palavras, demagogia é abuso da democracia. Percebo que a a "submissão da política à vontade do povo" é ao mesmo tempo o "abuso da democracia" e fico confuso. Estamos na "Era da ambiguidade". É fabuloso constatar, que a direcção e o agrado do povo, estandartes da Democracia que apregoamos por todo o mundo, não são senão o elemento fundamental do "abuso da democracia".
Dá que pensar...
A opinião do povo não interessa. De tal maneira que até fica mal cumpri-la.
Um pouco no espírito do post anterior, devo constatar que "eles" (este "eles" tinha que saír só para aqueles que me adjectivam de paranóide) conseguiram!
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Ó tempo, volta para trás!

O dia de ontem foi paradigmático no que diz respeito ao estado do jornalismo actual. Na primeira hora do telejornal da SIC, a maior parte foi dedicada a assuntos que fazem lembrar outros tempos - Fátima, Amália (sim, parece que estão a fazer umas versões pop da Amália) e futebol. Dá que pensar! Principalmente, quando o restante tempo de antena foi dedicado a entrevistar criminosos inveterados (para manter o pessoal em alerta) e os pais da maddie, que continuam - e continuarão - à procura da dita criança.
De facto, o que importa é vender as notícias e entreter a malta. Já o outro dizia - ignorância é força!Questiono-me se não haverá outras coisas mais importantes a noticiar. Claro que há! Para uns, tais temas são uma seca, para outros, não têm interesse. É que isto de tentar compreender quem tem (e como) a responsabilidade dos nossos destinos, é cá uma estopada...
Se o objectivo é desinteressar as pessoas do seu futuro, missão cumprida. Se o objectivo é fomentar a resignação e a mentalidade do "já não há nada a fazer, temos que nos habituar porque eles são todos iguais", está tudo resolvido.
Os falecidos ditadores que tentaram, sem sucesso, salvar o estúpido povo de estar envolvido nos seus destinos, vêem agora os seus intentos consumados.
Parece-me evidente, numa altura em que há pelo menos um bom par de milhões de portugueses no limiar da pobreza, que é preciso falar na Madeleine McCann. Principalmente porque não há mais crianças desaparecidas em Portugal, nem outros problemas que sejam de relevo superior ao de uma criança loura desaparecida há dois anos. Mais importante que isso, só mesmo a entrevista com um delinquente do famigerado Bairro da bela vista, e a sua reflexão sobre se iriam ou não, pegar fogo a mais um caixote do lixo.
Marcelo Caetano dizia, a respeito do jornalismo e da censura - Há por aí uns queixumes, de que não temos por cá uma informação completa, nada porém, do que de verdadeiro se passa e que ao público interesse, deixa de ser trazido ao conhecimento dele.
Depreendo então, consumado que está o 25 de Abril, que os noticiários actuais noticiam mesmo o que se passa e que interessa ao público: Vinte minutos de insegurança em Setúbal, dez minutos de futebol, cinco de Amália, e o restante sobre uma miúda perdida e claro, Fátima.
Já me ia esquecendo, houve também uma reportagem, a todos os títulos notável, sobre os mexicanos que estavam em Fátima, enquanto o vírus da gripe suína continua a dizimar dezenas (que foram aí, à vontade, umas cinco) pessoas por todo o mundo.
É com o sentimento de um profundo conhecimento do mundo que mudo de canal para outra coisa qualquer, depois do grandioso momento informativo.
Acho que é caso para dizer qualquer coisa como: Tudo pela nação, nada contra a nação!
quinta-feira, 2 de abril de 2009
O pacote!

Tenho-me lembrado muito de um dia em que passeava pelas ruas do Porto, há uma boa mão cheia de anos. Olhava para os bonitos prédios da Avenida dos Aliados e recordo-me de pensar - "É estranho, isto agora está cheio de bancos". Estava muito longe de ter a consciência social/política que faz de mim o que sou hoje (gabo o meu cesto). Na minha ingenuidade, o que me preocupava era aquilo já não ser das pessoas. Provavelmente uma tolice, já que os ditos prédios nunca devem ter sido "das pessoas" mas sim de "uma ou outra pessoa", bem abastada por sinal.
Hoje em dia percebe-se bem porque tudo o que é prédio valioso em centro de cidade, da minha Angra do Heroísmo natal até Lisboa ou Madrid, tem um dono - o banco - se não for do banco talvez seja, na loucura, de uma seguradora. Isto é tudo deles, eles são os maiores e merecem respeito.
Se em tempos passados os reis recebiam o poder directamente de Deus, agora já não é preciso. Há o dinheiro (vulgo: carcanhol, pastel, pasta, guito, massa, pilim, grana, etc.). É mais ou menos a mesma coisa, e tanto agora como nesses tempos, o poder é incontestado. Afinal de contas, há uns cinco ou seis séculos atrás, toda a gente ia na conversa. A malta era religiosa e se pensassem o contrário, Deus ou a Santa Inquisição, castigavam. Hoje em dia somos muito mais práticos. O dinheiro é uma coisa que existe, não é subjectivo. Quem questiona só pode ser maluco, porque ele não é como Deus, está lá mesmo, seja saldo da conta, no ecrã do computador, ou numa notinha com sistema anti-falsificação.
Ninguém põe em causa essa coisa com a qual transaccionamos bens sem ter de andar com as vacas ou as dúzias de ovos para a troca.
Quer dizer, talvez não seja bem assim. A verdade é que me lembro (lembro-me de tanta coisa neste texto, ainda não devo estar a ficar senil) de estudar o "Auto da barca do inferno", de Gil Vicente. Nessa obra, escrita há quase 500 anos, figurava um personagem interessante - o onzeneiro. Era o mau, a metáfora dos indivíduos que ganhavam a vida emprestando dinheiro, os agiotas. Cobravam 11% de juro e já na época eram bandidos, a sua arma era o nobre pilim.
Seja como for, é de salutar o facto do povo continuar bem domado. Fizeram, fazem e continuarão a fazer de nós o que querem. O gajo que trabalha continua e continuará a trabalhar muito mais do que seria necessário. A tecnologia continua e continuará a não ser aplicada a bem do lucro, da mais valia. Continuaremos atrasados, a andar com carros a gasolina e a fazer radiografias convencionais. A vida está cara. O pobretanas está em crise. E assim continuará. É a crise.
Ocorre, no dia em que escrevo esta ladainha, a cimeira/encontro/reunião/ajuntamento dos senhores do G-20. Fiquei maravilhado com a notícia que li (e que motiva este texto), acerca do pacote de medidas que foi lançado para "arrumar" com a crise mundial.
O pacote de medidas deveria ser antes chamado de medidas do "pacote" (para quem não conhece a terminologia, pode querer dizer rabo, no contexto certo).
Lê-se assim na notícia do SAPO: vão alterar as regras contabilísticas em vigor no país, passando a permitir às instituições financeiras que usem o seu "melhor julgamento" para avaliarem os seus activos. Fantástico, podemos agora contar com o "melhor julgamento" da banca para reger o nosso futuro e o futuro dos mercados. Maravilhoso! Diria mesmo soberbo! Tem dado tão bons resultados...
Rematam ainda com uma última frase, que é genial, e deverá ser interpretada com grande optimismo por todos: Segundo os peritos de contabilidade, as novas regras, que podem já ser aplicadas no primeiro trimestre, poderão impulsionar os resultados dos bancos em mais de 20%. Coitadinhos, apesar de, em 2007, terem sido o único sector da economia que cresceu, com lucros pornográficos, no ano passado parece que não correu tão bem. Até tiveram que usar dinheiro dos impostos para tapar os buracos. Merecem bem estes 20%, pelos esforços que têm feito em recuperar o nosso dinheiro, que estouraram em especulação bolsista.
É caso para dizer, "God save the banks"! Obrigado por tudo!
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Pessimismo ou realismo?

Tenho sido, constantemente, com mais ou menos razão, apelidado de pessimista e alarmista. Tanto aqui no blog, como em conversas aqui e ali.
Ontem, a fazer o habitual zapping na televisão, antes de me deitar, deparei-me com o canal "France 24". Estavam a transmitir uma espécie de debate e o título era, no mínimo, apelativo -"From global crisis to civil war". Parei logo e fiquei a ver. Julgo que os intervenientes eram macro-economistas, dois franceses e um americano.
Falava-se abertamente na crise económica, nas medidas que estavam a ser tomadas e nos seus prováveis resultados. Os três indivíduos (que não me pareceram fanáticos, nem de esquerda, nem de direita) eram mais ou menos unânimes em dizer que o sistema está falido e que as medidas que estão a ser tomadas não são mais do que "atirar gasolina para uma fogueira". Falavam, sem qualquer pudor, de caos social e ruptura total do sistema antes do fim do verão. Referiam-se às injecções de capital no sistema bancário quando falavam na dita "gasolina". E têm sido estas, e não outras verdadeiramente estruturantes, as medidas que têm sido tomadas - colocação de dinheiro novinho em folha, criado a partir do "nada" nos bancos para, dizem os nossos governantes, combater a crise.
Consideravam, como já aqui falei, de surgimento de facções de extrema-direita como resposta à crise. O governo norte-americano de Obama, de pseudo-esquerda, era sem rodeios, anunciado como completamente falhado até ao fim do ano. Aliás, este falhanço da esquerda moderada (se é que se pode chamar esquerda), irá, diziam os indivíduos, fabricar um terreno ideal para o aparecimento de uma direita muito agressiva. Que, tal como Hitler, Mussolini e Salazar, vão ser muito bem-vindos, para por a ordem no caos que, entretanto, se vai inevitavelmente instalar. Não escrevo, novamente nada de novo. Aliás, nada destas coisas que escrevo, são verdadeiramente novas. Muitos outros, como Noam Chomsky (cujos últimos livros tenho lido nas últimas semanas), o dizem e escrevem com muito mais propriedade. Mesmo assim , insisto!
Tenho, assustadoramente, visto pessoas, de todas as idades, falar abertamente e com saudosismo, sobre Oliveira Salazar e a sua saudosa (passo o pleonasmo) ditadura. Deviam ter juízo. Recordo que, em 1939, Franklin Delano Roosevelt (Presidente dos E.U.A.), considerava o Fascismo de "grande importância para o mundo". Sempre ouvi dizer que devemos ter cuidado com os nossos desejos, sob pena de se tornarem realidade.
Mas este post não é apenas um post pessimista mas realista. É também um momento para reiterar que esta crise deve servir para despertar as consciências. É a altura em que vamos, da pior maneira, ser confrontados com os podres da nossa sociedade!
É preciso criar um sistema novo. Liberal sim, mas justo! Que responsabilize as pessoas pelos seus actos. Tanto os ricos como os pobres. É preciso combater o laxismo associado por muitos à esquerda mas também é preciso impedir a selvajaria económica do "cada um por si" de direita. É preciso, mais do que tudo, trabalhar. Só com o trabalho e algum sacrifício se pode atingir seja o que for. É preciso ou mais estado, ou um estado mais forte! É preciso regular os negócios escuros, impedir a lavagem de dinheiro e a fuga aos impostos com os paraísos fiscais. É imperativo acabar com os ignóbeis lucros da banca e dos mercados bolsistas especulativos. É preciso transparência e líderes verdadeiros que não enriqueçam apenas os seus próprios bolsos com o poder.
Afinal de contas, são estas as medidas que têm que ser tomadas. É na regulação séria do sistema financeiro que podem estar as primeiras soluções. Essas regras nunca existiram, não nos iludamos!
O adiar das verdadeiras respostas, e o alienar das pessoas do seu próprio futuro, pode ter, como sempre teve, consequências gravíssimas que podem ser prevenidas.
Felizmente ou não, ontem senti-me um pouco menos sozinho...
P.S. Mas, como dizia Guevara, não acredito em "revoluções sem sangue". Os verdadeiros poderosos dificilmente abdicarão do poder apenas com cravos! [Esta foi para dar um bocadinho de razão aos que dizem que sou pessimista. Que acham que por falarmos nas coisas más, elas aparecem mais depressa.]
Aos interessados:
Encontrei os videos do debate online
http://www.france24.com/en/20090227-the-debate-from-the-crisis-to-civil-wars-1
http://www.france24.com/en/20090227-the-debate-from-the-crisis-to-civil-wars-2
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Guantánamo

Uma das promessas do recém eleito Presidente dos E.U.A., Barack Obama, era o fecho da prisão militar, parte integrante de uma base naval da Baía de Guantánamo, no território ocupado pelos norte-americanos em Cuba.
Sem muita surpresa da minha parte, esse fecho, prometido como célere, foi adiado.
Mais do que o simbólico fecho da dita prisão, acho que é mais importante lembrar o que esta significa.
Desde os atentados de 11 de Setembro de 2001, os Estados Unidos, sob a administração do nada saudoso George W. Bush, fizeram aprovar leis (supostamente anti-terroristas) que permitem o direito a declarar pessoas como suspeitas de terrorismo e detê-las, sem culpa formada, impedindo-as de ter acesso quer a um advogado, quer à própria família. Mais do que isso, existe a possibilidade de serem feitas vigilâncias sem mandatos do tribunais e detenções secretas, às quais virtualmente qualquer pessoa pode estar sujeita.
Não é preciso muito para se perceber que tais leis, diminuem os direitos constitucionais, não só de cidadãos dos E.U.A., como de todos os cidadãos do mundo, violando o Direito Internacional, as Convenções de Genebra e toda e qualquer noção de bom senso.
Mais ainda é fundamental lembrar que os Estados Unidos, a maior potência imperial da história, são também a maior nação terrorista de sempre. Apesar da "imprensa doutrinária", como escreve Chomsky repetidamente, nos desviar a atenção da verdade, devemos ter em conta que os auto-proclamados, "polícias do mundo", financiaram terrorismo em todos os continentes. Vejam-se os exemplos na América(onde promoveram atentados e guerras na Nicarágua, Costa Rica e Cuba, etc.), em África (tendo actuado, inclusivamente, contra o imperalismo ultramarino português) e na Ásia (onde apoiaram o general Suharto, no nosso conhecido Timor-Leste, Saddam Hussein no Iraque, etc.).
É obviamente importante fechar a prisão mas a questão que coloco é: Quem são na verdade os terroristas?
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Mais crise

Continuamos com esta história da crise. Não querendo ser presunçoso mas já sendo, devo salientar que o meu discurso, por muitos adjectivado de delirante, mesmo que só através de um olhar, de uma pancadinha nas costas ou uma gargalhada arrogante, se chega cada vez mais próximo da realidade. Seria interessante ouvir agora os que me apelidaram de alarmista adjectivar o recente discurso de Mário Soares por ocasião do Ano Novo, em que fala claramente em ingovernabilidade, propagação e agravamento da violência e do tumulto social que já teve início na Grécia (sim, aquele país que confortavelmente estava sempre atrás de nós, na cauda da U .E., antes da adesão de alguns países de leste).
Durante os vários meses que sucederam o “crash” da bolsa de 2008, o nosso governo, seguindo a política “d’o que se faz lá fora”, tentou escamotear as verdadeiras consequências da crise, embandeirando em arco que “nós ainda nem sequer entrámos em recessão” quando era óbvio para todos que isso seria inevitável. Não me restam quaisquer dúvidas que esse adiar das más notícias teve um interesse propagandístico, em que o admitir do mau estado das coisas iria travar ainda mais a economia. Infelizmente, ao esconder a verdade do povo, os nossos governantes estão também a impedir-nos, enquanto sociedade, de estarmos preparados para as dificuldades que se avizinham. Será certamente difícil discernir entre a informação útil e a que seria responsável pelo perigoso pânico. Pensava que o tempo em que a ignorância era força já tinha passado, pelos vistos não! Além disso, o democrático interesse dos governantes em perpetuarem-se no poder, fá-los alienarem-se das suas próprias responsabilidades e projectarem noutros, muitas vezes distantes e mal identificados, as causas dos problemas sociais que têm e em última análise, capacidade para os resolver.
Hoje foi o dia do anúncio da recessão, sendo que este oficializar das coisas serviu apenas para afastar ainda mais o povo dos seus governantes, principalmente por ter pecado por tardio e insuficiente. É nestas alturas de crise e de ruptura que existe uma maior necessidade de sintonia entre nós e os nossos líderes.
O desemprego continuará a aumentar à medida que as maiores empresas arrastam as mais pequenas e as ainda menores. A onda de choque está longe de ter atingido o fim da sua propagação. As medidas de salvamento e de nacionalização dos prejuízos, conforme o previsto, vão revelar-se erradas e insuficientes para travar as consequências da morte iminente de um sistema moribundo. Este crescente número de desempregados, apesar do prudente aumento do subsídio de desemprego, trará consequências para além do imaginável para a maioria de nós. O desespero que tornará impedirá muitos de manter o tecto e alimentar os seus, para muitas pessoas trará certamente problemas sociais até há poucos meses impensáveis.
Manuel Alegre lembrou há poucas semanas um risco secundário ao início da violência e do tumulto social, o risco do regresso da ditadura! Foi assim que começou o fascismo na Europa há décadas atrás, e é preciso que mantenhamos os espíritos em alerta. Facilmente poderá passar a fazer sentido para muitos, a necessidade de “por esta gente na ordem”. Todos sabemos dizer que o fascismo, os nazis, Hitler e Salazar eram criaturas pérfidas, assim fomos ensinados. É fundamental, além disso, perceber em que circunstâncias esses indivíduos apareceram e tomaram o poder. O risco, como diria José Gil, filósofo português, da “não inscrição” destes conceitos no consciente colectivo pode trazer problemas passados de novo à actualidade. Seria muito triste termos que viver problemas repetidos e ver anulados esforços dos nossos antepassados em criar uma sociedade melhor.
É altura da sociedade se unir, as pessoas em dificuldades são hoje um número tal que beneficiam a formação de uma consciência colectiva e de uma mentalidade revolucionária. Apesar do meu pessimismo e medo em relação ao período tumultuoso que vamos viver pelo menos em 2009, é também meu dever admitir que é altura de encontrar novas soluções e de instituir novos hábitos na nossa sociedade.
Chega de alienação e de sensação de impotência! É preciso MUDANÇA! Estou farto de ver eminentes líderes de esquerda serem esmagados com argumentações de que as experiências de esquerda falharam por todo o mundo, citando os exemplos soviéticos, chineses e cubanos. Então e o sistema capitalista em vigor, não está falido? Esse “mundo democrático capitalista neo-liberal” não está a ser responsável pela maior divergência da história entre ricos e pobres? Porque ninguém faz essa pergunta tão simples? Porque temos de viver neste sistema financeiro, quase divinizado, dogmatizado e incontestado para sempre? Porque não está a política verdadeiramente em discussão?
A única coisa que é facto é que o sistema actual também falhou, e sendo o sistema mais à direita de sempre, a única saída será uma variação para a esquerda, seja de que maneira for, seja qual for a nossa ideologia política. Disso, não restam dúvidas!
É preciso por em causa a doutrina dos empréstimos, da banca, do emprego medíocre! É preciso união e fazer a política para o povo e não para os políticos e os seus amigos! O voto em si não chega, é preciso pressão e discussão. É preciso pressionar os líderes políticos a chamarem a si a responsabilidade óbvia que têm. A crise não é justificação para tudo, nem os preços do petróleo nem a conjuntura! Se eles é que mandam, que mandem!
Infelizmente, só um tolo não percebe que não são os senhores em quem votamos que mandam, mas sim os detentores do capital. E é isso que não pode ser!
Abraços revolucionários para todos!
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