
Façamos hoje, um exercício semelhante.
A palavra vem do grego, e significava originalmente a "direcção do povo".
A primeira definição do dicionário da Porto Editora reza assim: submissão excessiva da actuação política ao agrado das massas populares. Começando com o paternalismo da palavra "excessiva", a definição é, de facto, magnífica! Uma vez que o vocábulo é utilizado em tom de acusação, devo assumir que os políticos NUNCA devem agradar às massas populares. As massas devem então, ser tratadas como um rebanho. Sempre que ouçamos a partir de agora, por exemplo, o Paulo Portas acusar o Manuel Pinho ou o Sócrates de demagogia, imaginar-nos-emos em rebanho. Ovelhinhas, cabrinhas ou vaquinhas, Sócrates é o nosso pastor. Na verdade, talvez o Cavaco tenha até mais pinta de pastor. Afinal, a piada do bolo-rei, que é agura lugar-comum, dá-lhe aquele toque de pastoreio. Agradar às massas é mau, portanto voltemos aos açoites. O senhor que tantas vezes tem saliva branca nos cantos da boca, diz que é aquele pasto é mais espectacular, portanto vamos pastar para lá! Acreditamos, ou melhor, nem questionamos. Mémé!
Fazer demagogia, segundo o mesmo dicionário, é ter uma actuação política que se serve do apoio popular para conquistar o poder. Para quê o apoio popular?! Não é preciso. Os nossos "pastores" podem usar uma qualquer política económica de pasto sem nos consultar. Podem iniciar guerras (sabiam que a maioria esmagadora das pessoas teria votado contra a guerra no Iraque, em todos os países da Europa e inclusivamente, nos E.U.A., antes do Bush dar fogo à peça?), fazer novas constituições, construrír pontes, aeroportos, mudar de frota automóvel a todo o instante (como fez agora o Jaime Gama, et al.), fazer políticas obscuras e claramente lesivas para os trabalhadores mais pobres, sem que praticamente nenhuma ovelhinha concorde. Pensava que isto do povo apoiar a actuação política era uma coisa boa, principalmente quando concorda com ela. Devo estar totalmente errado. Sem dúvida! O dicionário e os deputados da Assembleia da República, estão todos ali para mo mostrar, uma vez que esgrimem a palavra de uns para os outros como se de um pau se tratasse. Digo pau nesta última frase, porque espada é muito fino, para o respeito que me merecem a maioria desses indivíduos.
Por último, acrescenta a mesma fonte de significados de palavras, demagogia é abuso da democracia. Percebo que a a "submissão da política à vontade do povo" é ao mesmo tempo o "abuso da democracia" e fico confuso. Estamos na "Era da ambiguidade". É fabuloso constatar, que a direcção e o agrado do povo, estandartes da Democracia que apregoamos por todo o mundo, não são senão o elemento fundamental do "abuso da democracia".
Dá que pensar...
A opinião do povo não interessa. De tal maneira que até fica mal cumpri-la.
Um pouco no espírito do post anterior, devo constatar que "eles" (este "eles" tinha que saír só para aqueles que me adjectivam de paranóide) conseguiram!